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Depois de desistir do sonho de tornar-se escultora, Alix Grès, nascida em Paris, começou uma carreira de estilista: ela criava, em musselina, moldes de roupas de alta costura, e os vendia para as principais casas de moda da cidade. Em 1934, afinal, decidiu criar seu próprio salão, como o nome de Alix Barton. Fechou-o durante a 2ª Guerra Mundial, e quando o reabriu, já assinava suas criações como Madame Grès.
Nessas criações estava sempre presente a sensibilidade da escultora: seus modelos, muito simples na forma, eram meticulosamente drapeados por ela própria, numa composição que consuma horas seguidas de trabalho, e que jamais foi igualada por qualquer outro criador. Durante anos, Madame Grès foi uma estilista consagrada, e sua Maison, instalada no nº 1 da rue de la Paix, em Paris, era freqüentada por mulheres elegantes do mundo inteiro, entre as quais a princesa de Mônaco, Grace Kelly.
O talento para criar vestidos que lembravam as túnicas de estátuas gregas, no entanto, não era o mesmo que tinha para os negócios. Na década de 80, quando a alta costura começou a sentir mais de perto a pressão de um mundo em transformação, com as grifes em geral ampliando sua linha de produtos, especialmente através do prêt-à-porter, dos cosméticos e de perfumes, o salão de Madame Grès, ainda que tentasse algumas ações nesse mesmo sentido, passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras.
Em 1984, a casa era vendida ao empresário francês Bernard Tapie, então no auge de uma série de negócios importantes, mas não foi a solução: três anos mais tarde, na mais completa insolvência, o local era fechado de maneira brutal, com a mobília e os manequins de madeira sendo destruídos a golpes de machado, diante da figura miúda de Madame Grès, sempre vestida de preto e com um turbante na cabeça.
Em 1988, o grupo japonês Yagi Tsusho Limited comprou o salão, agregando à marca os mesmos produtos que estavam enriquecendo outras grifes famosas, e recuperando as finanças. Para Madame Grès, porém, era tarde demais. Sem se recuperar dos últimos golpes sofridos, ela foi levada por sua filha Anne para uma casa da família no sul da França e, mais tarde, para um asilo, onde morreu praticamente no anonimato - Anne Grès só comunicaria a morte da mãe um ano mais tarde.