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Francisco de Rabaneda Cuervo, ou Paco Rabanne nasceu na cidade basca de San Sebastian, na Espanha, em plena guerra civil em seu país, filho de um general e de uma das fundadoras do Partido Comunista espanhol, que acumulava suas atividades de política de esquerda com as de costureira-chefe da filial local da casa Balenciaga.
Em 1936, aos dois anos, e exatamente por causa da guerra, ele mudou-se com toda a família para a França. Durante 12 anos, de 1954 a 1964, Rabanne estudou arquitetura na Escola de Belas Artes de Paris, e foi aí que começou a nascer a vocação para o estilismo de roupas - seus colegas de curso achavam que os edifícios que projetava pareciam-se com vestimentas.
Sua estréia no mundo da moda foi, porém, através de ousadas bijuterias e botões de plástico que criava e vendia para maisons como as de Dior, Givenchy e também Balenciaga. Depois vieram bordados, que revolucionavam o que existia na época, com seus desenhos geométricos, sapatos, que desenhou para Charles Jourdan, e gravatas, desenvolvidas para Pierre Cardin.
Em 1965, afinal, Paco Rabanne criou seu primeiro vestido de plástico - e era só o começo da subversão que provocou na alta costura: logo, estava utilizando metal em vez de tecido, e alicate, no lugar da agulha de costura.
A inovação era tanta que as críticas não demoraram a surgir. "Paco Rabanne não é um costureiro, mas um metalúrgico", disparou Coco Chanel. Falava-se do desconforto que suas peças provocavam, mas ele rebatia: "Para trabalhar, as mulheres devem vestir roupas cômodas, mas para conquistar um homem, não deve haver limites para o sacrifício". A julgar pela fama sempre em ascensão, Rabanne deve ter lido as mentes femininas.
Utilizando uma grande variedade de materiais até então ignorados na confecção de roupas - além do plástico e do metal, ele incorporou o uso do papel, que em lugar de costuras tinham suas partes fixadas com fita adesiva - jamais faltou ao estilista nomes famosos para exibir suas criações, como a atriz Audrey Hepburn e a cantora Françoise Hardy.
Do mesmo modo, seus perfumes, entre os quais Métal, La Nuit, Sport e Ex, sempre foram muito prestigiados, e o primeiro deles, Calandre, lançado em 1969, inovou entre as fragrâncias da época, ao utilizar o chipre como nota básica, enquanto a moda eram as essências cítricas.